A manifestação planetária
“Ver
o Mundo num Grão de Areia.
E o Paraíso numa Flor Selvagem.
Conter o Infinito na Palma da Mão.
E a Eternidade em uma Hora”.
William Blake
Após observar na internet inúmeras notícias sobre "os protestos contra a guerra", vamos tentar movimentar estes conceitos buscando compreender melhor o que está acontecendo.
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A palavra "manifestação", sozinha, talvez não seja suficiente para representar o conjunto dos protestos, devido à sua dimensão.
Porque nunca antes na história da humanidade houve um conjunto de manifestações simultâneas como os que estão ocorrendo:
Milhões de pessoas; em centenas de cidades; de todos os continentes se manifestando ao mesmo tempo.
Para colocar este processo em palavras, precisaríamos de um outro nome (ou uma metáfora).
No entanto, vamos provisoriamente definir assim:
- "Grande manifestação de pessoas em todo o planeta".
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Além disso, podemos dizer que a manifestação não é apenas “contra a guerra”.
Porque parece que já está ficando bem claro que um dos principais motivos por trás deste confronto é econômico: seja pelo controle e exploração do petróleo, seja pelo lucro da indústria armamentista.
E se observamos que é um conflito envolvendo pessoas que disputam o poder político e financeiro, então não é absurdo dizer que este conflito é um sintoma visível de um sistema sócio-político-econômico no qual estamos todos imersos.
Um sistema que tem como fundamentos a competição e a acumulação. O que, no decorrer do tempo, acaba sempre gerando desigualdade, miséria e sofrimento.
Ou, dizendo de outra maneira, uma forma de pensar e de agir na qual o capital tem prioridade sobre o ser humano: o capital-ismo.
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Como este sistema prevalece em todas regiões do planeta há séculos, ficamos tão acostumados que ele nos parece natural. O que equivale a dizer que o capitalismo está também introjetado dentro de cada um de nós.
E isso dificulta muito a ampla disseminação de críticas e a realização de grandes protestos.
No entanto, com a ocorrência deste conflito militar numa determinada região do planeta, um sintoma do capitalismo (guerra) se faz muito explícito no tempo e no espaço – e, com isso, a humanidade está conseguindo se mobilizar para uma grande manifestação coletiva.
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E, tendo em vista que a ‘parte’ pode conter o ‘todo’ (o que pode ser exemplificado pela constatação científica de que o código genético de um organismo está presente em cada uma de suas células);
Então, fazendo uma analogia que é mais fruto da lógica poética do que da lógica da razão, podemos dizer que manifestar contra o sintoma (guerra) é também manifestar contra o sistema (capitalismo).
Indo um pouco mais além, se conseguimos ver a Terra como um ser vivo (conforme nos aponta a teoria de Gaia), podemos dizer que somos células deste maravilhoso e gigantesco organismo;
Então, fazendo uma analogia semelhante, é possível dizer que: “uma manifestação de milhões de pessoas em todo o planeta” é também uma manifestação da própria Terra.
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Seguindo essa lógica poética, podemos concluir assim:
- Uma manifestação da Terra pelo fim do capitalismo.
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copyleft 2003
Marcos Menezes
cópias e republicações são autorizadas
outras informações:
Centro de Mídia Independente Internacional
Milhões contra a guerra em todo o mundo: CMI Brasil
El mundo se manifiesta - Fundacionperlapau.org
Não ao ataque ao Iraque - Portugal
Mobilização contra a guerra - Agência Imediata
Dia Internacional contra a guerra - Mídia da Paz
Artigo contra a guerra - NovaE
Pela Paz, contra a guerra imperialista - AMARC Brasil
Manifesto do Comitê Paulista Contra a Guerra e pela Paz
Manifesto: jornalistas contra a guerra
Os valores sem preço - Eduardo Galeano
Saramago e Almodóvar lançam manifesto contra a guerra
Para dizer não à guerra imperialista - Eduardo Galeano
Manifesto - Adolfo Pérez Esquivel
Pronunciamento do Dalai Lama contra a guerra
FSM: Alternativa para a guerra, a dominação e a exploração?
Como enfrentar o império - Noam Chomsky
Escudos humanos voluntários no Iraque
Como enfrentar o império - Arundhati Roy
Recusar a ditadura do mercado - Paulo Freire
Capitalismo e esquizofrenia - Gilles Deleuze
Os índios não compreendem o capitalismo
Qual globalização - Leonardo Boff
Ressureições da memória - Walter Benjamin
A sociedade rede e os movimentos sociais
As redes e o fim do patriarcado
A importância histórico-social das redes
A Colaboração Solidária como Uma Alternativa Pós-Capitalista
Gaia - Reconectar-se à teia da vida
Ecologia Profunda, Ecologia Social e Eco-Ética
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