Classificação semiquantitativa de espermatozoides otimiza a genotipagem de backlog de amostras de crimes sexuais

Alexandra Lopes Cândido, Nígela Rodrigues Carvalho, Paulo Bomfim Chaves, Bruno Martinucci, Neide Maria de Oliveira Godinho, Mariana Flavia da Mota

Resumo


A realização de testes genéticos em vestígios de crimes sexuais pode ser feita com ou sem a análise prévia de espermatozoides por microscopia, que permite inferir a quantidade de espermatozoides na amostra. Para amostras com presença de espermatozoides, a extração diferencial é o protocolo recomendado na etapa de lise celular, pois permite isolar o DNA das células espermáticas (DNA do agressor) do DNA das células da vítima, melhorando assim a recuperação do perfil genético do agressor. Neste trabalho analisamos a relação entre uma classificação semiquantitativa de espermatozoides e o DNA masculino quantificado por qPCR (PCR quantitativo) e a qualidade do perfil genético de amostras de crimes sexuais ocorridos no Estado de Goiás (Brasil). Para tanto foram analisados 93 suabes vaginais com presença de espermatozoides após extração diferencial, seguida de quantificação de DNA via qPCR e genotipagem de marcadores microssatélites de uso forense. Não foi observada relação clara entre os três grupos de contagem de espermatozoides e a razão de DNA masculino e feminino (M:F) nas amostras analisadas. Contudo, constatou-se uma tendência de aumento significativo da quantidade de DNA masculino com o aumento do número de espermatozoides. Esse resultado foi seguido da melhora na qualidade do perfil genético das amostras contendo mais DNA masculino. A contagem de espermatozoides pode ser usada para priorizar amostras a serem analisadas em esforços de genotipagem em massa de vestígios de crimes sexuais que aguardam processamento (backlog). Ela aumenta a previsibilidade dos resultados e a taxa de sucesso do exame de DNA.


Palavras-chave


estupro, espermatozoides, STR, PCR em tempo real, genética forense

Texto completo:

PDF

Referências


World Health Organization. Preventing intimate partner and sexual violence against women: taking action and generating evidence. World Health Organization (2010). Retirado em 05/07/2020 de https://apps.who .int/iris/handle/10665/44350.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anuário brasileiro de segurança pública. Fórum Brasileiro de Segurança Pública 13ª Ed., (2019). Retirado em 04/07/2019 de http://forumseguranca.org.br/anuario-brasileiro-seguranca-publica/.

Rede Integrada de Perfis Genéticos. Manual de Procedimentos Operacionais da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. Diário Oficial da União, v.88, seção 1, p. 40 (2015). Retirado em 17/05/2018 de http: //www.justica.gov.br/sua-seguranca/ribpg.

J.A.Velho; K.A. Costa; C.T.M. Damasceno, Locais de crime: dos vestígios à dinâmica criminosa. Millenium 3º ed. (2010).

N.R Carvalho et al. The contribution of DNA databases for stored sexual crimes evidences in the central of Brazil. Forensic Sci. Int. Genet. 46: 102235 (2020).

M. Toselli; A.C. Pacheco; C.R. Dias Filho. PSA positivo, espermatozoides ausentes: vale a tentativa de obtenção de perfil genético masculino? Rev. Bras. Crimin. 8: 51-57 (2019).

A. Andreassa et al. Introdução à biologia forense. Millenium 2º ed. (2016).

M.C.T. Sawaya; M.R.S. Rolim. Manual prático de medicina legal no laboratório. Juruá 2º ed (2009).

J.M. Butler. Advanced Topics in Forensic DNA Typing: Methodology. Academic Press 1º ed (2011).

T. Strachan; A.P. Read. Genética Molecular Humana. Artmed, 2º ed (2002).

J.M. Butler. Fundamentals of Forensic DNA Typing. Academic Press, 1º ed (2009).

M.C.T. Sawaya; M.R.S. Rolim. Antígeno específico da próstata em fluidos biológicos: aplicação forense. Visão Acadêmica 5: 109-116 (2004).

Applied Biosystems. PrepFiler Express™ and PrepFiler Express BTA™ Forensic DNA Extraction Kits. Thermo Fisher Scientific 4442699: rev. B (2010). Retirado em 04/11/2018 de https://www.thermofisher.com/br/en/home.html.

Applied Biosystems. AutoMate Express™ Instrument User Guide. Thermo Fisher Scientific 4441982: rev.F (2018). Retirado em 04/11/2018 de https://www.thermofisher.com/br/en/home.html.

Applied Biosystems. Quantifiler™ HP and Trio DNA Quantification Kits: User Guide. Thermo Fisher Scientific 4485354: rev. H (2018). Retirado em 04/11/2018 de https://www.thermofisher.com/br/en/home.html.

Applied Biosystems. GlobalFiler™ and GlobalFiler™ IQC PCR Amplification Kits: User Guide. Thermo Fisher Scientific 4477604: rev. E (2016). Retirado em 04/07/2020 de https://www.thermofisher.com/br/en/home.html.

P. Gill; L. Fereday; N. Morling; P.M. Schneider. The evolution of DNA databases recommendations for new European STR loci. Forensic Sci. Int. 156: 242-244 (2006).

K.A de Paula. Análise molecular com Y-STRS em amostras biológicas sem espermatozoides coletadas de vítimas de estupro. Dissertação de Mestrado (Ciências Genômicas e Biotecnologia), Universidade Católica de Brasília, Brasília (2011).

J.E Allard et al. The collection of data from findings in cases of sexual assault and the significance of spermatozoa on vaginal, anal and oral swabs. Sci. Justice 37: 99-108 (1997).

L. Romero-Montoya et al. Relationship of spermatoscopy, prostatic acid phosphatase activity and prostate-specific antigen (p30) assays with further DNA typing in forensic samples from rape cases. Forensic Sci. Int. 206: 111-118 (2011).

M. Barbisin et al. Developmental Validation of the Quantifiler® Duo DNA Quantification Kit for Simultaneous Quantification of Total Human and Human Male DNA and Detection of PCR Inhibitors in Biological Samples. J. Forensic Sci. 54: 305-3019 (2009).

G. Alderson et al. Inferring the presence of spermatozoa in forensic samples based on male DNA fractionation following differential extraction. Forensic Sci. Int. Genet. 36: 225-232 (2018).

R. Campbell, et al. The national problem of untested sexual assault kits (SAKs): scope, causes, and future directions for research, policy, and practice. Trauma Violence Abuse 18: 363-376 (2015).




DOI: https://doi.org/10.15260/rbc.v10i1.425