Vítimas fatais por arma de fogo de mão em Salvador-Bahia: um olhar sobre perfil epidemiológico da última década

Fernanda Silva da Silveira Pinto, Mariana Siqueira Lucena, Adriana Conceição de Mello Andrade, Katia de Miranda Avena

Resumo


A violência no Brasil é uma realidade que afeta toda sociedade, refletindo altos e crescentes índices de eventos envolvendo armas de fogo. Conhecer as características epidemiológicas das vítimas contribui na compreensão de aspectos que podem auxiliar na elaboração de ações preventivas e planos de ação para reduzir a mortalidade por tal agravo. Neste contexto, esse estudo descreve o perfil das vítimas fatais de agressão por meio de disparo de arma de fogo de mão, de 2009 a 2019, em Salvador/Bahia, analisando o local da ocorrência e o meio ao qual o óbito foi atestado. Trata-se de estudo epidemiológico, retrospectivo, descritivo, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS/DATASUS). Foram incluídos óbitos por causas externas, especificamente por “agressão por meio de disparo de arma de fogo de mão” (CID X93). Foram registrados 206.621 óbitos, sendo 0,62% decorrentes de agressão por meio de disparo de arma de fogo de mão. Destes, 1.282 foram homicídios, que ocorreram em homens (94%), dos 20-59 anos (76,5%) e da raça parda (73,9%). O local de maior ocorrência foi a via pública (55,9%), tendo os atestados de óbito sido emitidos em 99,3% dos casos pelo Instituto Médico Legal. É importante refletir acerca das diversidades que rondam os óbitos por violência na cidade de Salvador. Há necessidade de um olhar mais atencioso ao público-alvo, caracterizado por homens, adultos, da raça parda. Quanto às subnotificações, estas possivelmente interferem na fidedignidade com a realidade da região em análise. Encontrar a raiz deste problema torna-se imprescindível para melhor entendimento da realidade vivida.


Palavras-chave


Violência com Arma de Fogo; Mortalidade; Epidemiologia; Política Pública.

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DOI: https://doi.org/10.15260/rbc.v10i1.514