Correlação entre cadáveres carbonizados e a dosagem da carboxihemoglobina

Danielle Menezes Xavier, L.I.G. Dau, P.D. Nunes, M.G. Ramos, A.L.B. Roquette, A. Santos

Resumo


As causas mais frequentes de óbito nos pacientes com lesões inalatórias estão relacionadas à intoxicação por monóxido de carbono (CO). A intoxicação pelo CO se dá pela falta de ar respirável, havendo substituição do oxigênio pelo CO, formando a carboxihemoglobina (COHb). A toxicidade se faz dependente de sua concentração. O artigo em questão avalia a relação da dosagem de COHb associada ao sinal de Montalti positivo, em cadáveres carbonizados, que foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal de Belo Horizonte (IML-BH). O objetivo é de comprovar se os cadáveres em questão vieram a óbito por asfixia ou por outro fator secundário. Para a realização da pesquisa foram feitos levantamentos de dados através de laudos necroscópicos e análises desses, os materiais analisados foram exames de espectrofotometria disponibilizados pelo IML-BH. Foi feito o levantamento dos resultados de COHb e realizado a correlação entre a COHb e o sinal de Montalti, que se mostra positivo quando encontrada fuligem na traqueia. Existiram dificuldades para estabelecer a porcentagem padrão que seria usada como referência para poder se confirmar que a intoxicação foi a causa mortis. Apesar disso, foi possível realizar as dosagens de COHb e fazer correlações dessa com: a faixa etária dos indivíduos, o nível de drogas de abuso e álcool no sangue e o local que ocorreu a carbonização. Os resultados alcançados demonstram a importância das dosagens feitas para a determinação da causa mortis do indivíduo, como fator essencial para o fechamento de laudos e investigações.


Palavras-chave


Carboxihemoglobina; Dosagem; Cadáveres Carbonizados; Sinal de Montalti.

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DOI: http://dx.doi.org/10.15260/rbc.v4i1.79

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