Resultado falso-positivo para sangue humano pela ação de interferência química do cobre em teste imunocromatográfico

Nelson Massayuki Yoshitake, Luciana Barros Coelho, Camila Gonzaga Resende, Géter Sinear Jesus Bizo, Heitor Simões Dutra Correa, Juliana Fabris Lima-Garcia, Paulo Sérgio Vasconcelos de Oliveira, Andrea Correia Carneiro

Resumo


O sangue humano é comumente encontrado em locais de crime e sua constatação é feita geralmente através de exames imunocromatográficos, concebidos para determinação qualitativa de hemoglobina humana em fezes, porém amplamente utilizados nos Institutos de Criminalística para amostras forenses. A salina tamponada usada para extração de supostas manchas de sangue contém azida de sódio e esta pode reagir com cobre. Com objetivo de testar a possível interferência do cobre nos testes imunocromatográficos de sangue humano, foram utilizadas moedas de R$0,05 (M1); R$0,10 (M2); R$0,25 (M3); R$0,50 (M4) e R$1,00 (M5), pelo fato de possuírem ligas metálicas conhecidas e com diferentes composições. As moedas foram previamente lavadas e deixadas secar, a seguir utilizaram-se swabs umedecidos com solução extratora e esfregados em cada uma delas para obtenção de amostras para serem submetidas à pesquisa de sangue humano. Posteriormente, as cinco moedas foram imersas na solução extratora e deixadas em repouso, gerando amostras para serem testadas após 1, 2, 4 e 42 horas. As amostras obtidas com swab apresentaram resultado negativo para sangue humano. No entanto, a partir de uma hora de imersão na solução extratora, resultados falso-positivos foram observados em M3; duas horas de extração em M2 e M3; quatro horas de extração em M2, M3 e M5 e 42 horas de extração em M1, M2, M3 e M5. Desta forma, advertimos sobre a existência do risco de resultados falso-positivos para sangue humano em laudos periciais dos Laboratórios Forenses que utilizam testes imunocromatográficos em amostras que porventura contenham cobre em sua composição.


Palavras-chave


Falso-positivo; Sangue humano; Interferência química; Cobre; Teste imunocromatográfico

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DOI: http://dx.doi.org/10.15260/rbc.v4i2.91

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